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As três Menininhas, o Sabiá, A Menina e a Fábrica de Lágrimas
(para Raiça,meu colibri)
De manhãzinha, quando a padaria ainda está vazia, e a banca de jornal começa a gritar as notícias do dia, na casa do final da ruazinha de jabuticaba as três menininhas já estão a fabricar lágrimas.
Um tal Sabiá, que passeia por ali e não tem muito que fazer, percebe que todos os dias aquelas três menininhas estão ali, a trabalhar, nunca param. Decide então, pregar uma peça.
Certo dia, uma das menininhas deixa a última fornada de lagriminhas na janela, a descansar com o vento (essa é uma das partes da produção de lágrimas, elas descansam no vento para crescerem fortes).
O sabiá, esperto que é, corre até o céu, e convence a Dona Nuvem Gorda a desabar na janela das menininhas, causando um estrago jamais visto. Foi água pra tudo que é lado, as lagriminhas, as lagrimonas, as lágrimas na puberdade, todas elas se misturaram à chuva, e não tinha santo ou santa que as separassem. E então, as menininhas tiveram que parar a produção para limpar o aguaceiro e começar tudo do iniciozinho. O sabiá ria pra se acabar, o mundo agora não ia ter como chorar! Danado que é, no meio da confusão consegue se esconder dentro dos longos cabelos de uma das menininhas para ver de perto o desespero das certinhas.
As três menininhas, agoniadas coitadas, agora precisavam de uma dor muito forte para reiniciar a produção de lágrimas. Quando elas assumiram a fábrica, ela já estava a todo vapor, e nunca havia parado de funcionar. E agora quanto mais demorassem, mais tempo o mundo ficaria sem lágrimas.
As menininhas então, saíram em sua busca. As confusões já começavam.
Em menos de um dia:
- Os hospitais estavam lotados de pessoas com o chamado "Nó na garganta".
- Os bebês não sabiam mais como avisar a mamãe ou ao papai quando estavam com fome, ou com sono, ou de caquinha!
- As brigas dos casais estavam cada vez menos emocionantes.
- O cinema então! Coitados... o Oscar agora seria dado à quem fizesse um cinéfilo ou cinéfila chorar!
Até que o pior acontece.
Escrito por Maíra às 17h33
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(continuação)
As menininhas recebem a notícia mais temerosa!Urgente!Telegrama vindo diretamente da fábrica de gargalhada!"As pessoas não choram mais de tanto rir!" É o ápice! Atenção! Atenção! Calamidade pública! Acionem a ONU! Todas as ONGs, todos os reis, rainhas, mundo mágico, mundo real,Terra do Nunca, Contos de fadas! Todos Aqui! Chamem passarinhos, duendes, gigantes, meninas, bruxas, meninos, pedreiros, padeiros, pipoqueiros, fadas, homens, mulheres, e principalmente: todas e todos os contadores de histórias!!!
Os mundos entraram em parafuso! Em pouco tempo, filas e mais filas de doadores de dor. Todos apresentavam suas dores para as três menininhas, e nenhuma era suficiente...
O sabiá finalmente percebe a confusão que causou e decide ir em busca da dor mais forte.
Ele sobrevoa dias e dias com a consciência pesada.Como pôde brincar com coisa tão séria?! Até que enxerga uma menina sozinha, a única que parecia não estar preocupada com a falta de lágrimas de todos os mundos, e ela parece tão triste, mas tão triste, que o mar que ele estava a olhar lá do céu parecia ser o que de lágrimas ela teria derramado. E sentada entre as pedras e corais a Menina cantava um canto triste, canto de dor de alma.
O sabiá então, pousou nos pés da menina, e perguntou:
- Menina, como faz pra ter dor tão forte?
Ela respondeu com um riso tímido de canto de boca:
- É amor meu passarinho, é amor, e só.
E nesse instante, a aguinha agridoce escorreu no rosto da menina e pingou no mar.
Não se sabe como, mas instantaneamente, quando a lagriminha, única no mundo pingou no mar, as três menininhas sentiram um aperto bem forte no peito, mas tão forte que saíram correndo deixando todas as autoridades de todos os mundos que estavam reunidas na terra do nunca a falar sozinhas. Voltaram para a rua das jabuticabas. Quando abriram a porta de casa, lá estava o Sabiá, muito ressabiado, a cantar o canto triste da Menina...
Desde então, as menininhas não param de fazer lágrimas. E o sabiá está lá, a trabalhar com elas, cantando o canto triste.
E a Menina que fez a fábrica de aguinha agridoce voltar a funcionar, essa teve tanta dor no peito, mas tanta, que se fez lágrima e se misturou ao mar.
"Minha sabiá, vem me dizer, por favor, o quanto que eu devo amar, pra nunca
morrer de amor..."*
(Maíra Guedes - 01 de fevereiro de 2007,14h, Salvador - Ba)
(* Música de Caetano Veloso)
Escrito por Maíra às 17h32
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Na sala de estar
"E então?" Perguntou ele cheio de medo, como se pisasse em florzinhas que não se pudessem amassar. Ela muda. Atônita. Arrancada. Depois do relógio gritar por horas diz sem entusiasmo ou tristeza; " Não sinto meu coração bater. Você o viu passeando por ai ? " Ele, que há tanto esperava a parole da língua dela, aos pouquinhos vai desfalecendo no carpete da sala de estar. "Pare ." Ela diz seca, com os olhos fixos na janela. "Não encharque o carpete com coisas dos olhos, elas mancham o chão. Psiu!Silêncio! Você ouviu? Acho que ouvi uma batida de coração descompassado a correr lá fora. " Ele vai se levantando aos poucos, quase sem sustentar o peso das lágrimas que escorriam desnorteadamente e insistiam em se espalhar pelo chão que não se deve manchar. Abre a porta, e sai chuva a fora para buscar o coração dela. Muda. Atônita. Arrancada . Permanece com os olhos fixos na janela, como se sentisse dentro dela o chicotear das gotas no asfalto. Como se só sentisse. Dentro dela. À espera .
(Mamai - 27.09.06 - SSA-BA)
Escrito por Maíra às 11h28
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Quando é de manhã cedinho, nem os pássaros ou o sol voam no céu, dizem por ai que as flores ficam a fabricar saudade, e as árvores a pedir que não. Mas as flores macumunadas com o vento fazem o dia acordar canção, fazem os beijos voadores dos amantes largar esposa e ninho para sugar néctar em espinhos. E daqui se ouve o coração das flores a bater com as asas que se aproximam. Um TUM.TUM.TUM de coração descarrilhado em sons que se propagam no vácuo.
Pétalas se desfazem em beijos que presenteiam saudade.
(Maíra Guedes e Renan Claudino - 25 de agosto de 2006)
Escrito por Maíra às 17h58
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Um mulambo qualquer é o amor que vagueia em mim. Com figurino de trapezista. Com maquiagem de equilibrista. Com coração de atirador de facas.
(Mamai,junho de 2006)
Escrito por Maíra às 19h15
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Quando ela acorda lava o rosto em chafariz, saia rodada , faz do jeito que lhe diz. Bate no asfalto, salto torto de colher, corre pro arauto finge ser bem mais mulher.
Ah! Ela é menina, sapatilha sem cristal, Ah! Ela é menina e acha tudo natural. Ah! Não vai descer por essa escada matinal Não, não vai crescer, ficar, brincar de bem e mal
Quando ela volta, lava os pés em luz de abril, cabelo solto, faz de conta que sorriu. Bate na mesa, corte fundo de qualquer, corre pro mundo e solta pipa em dor que quer.
(Mamai,23 de junho de 2006)
Escrito por Maíra às 13h37
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Não há nada melhor em meus mundos que o samba matinal. Deus de manhã consegue ser ainda mais exato.Talvez porque meus sonhos, com raiozinhos leves de Sol, ainda estejam crus, e por isso se modelem à cadência dos lençóis ainda mornos.
Quando me vejo refletida em xicrinha de café, descubro olhos não tão meus.Sento à mesa branca de mármore frio, entre espelhos e anéis pertenço-me, muda.Diferente da boca que mente depois da porta, ou grita janela afora. Mas dentro, com tudo fechado, sem frestas, invento binóculos de borboletas, para suprir a ausência dos tantos outros olhos lá de fora.
Se saio passo o dia numa malemolência cálida, pouco sóbria. Por isso prefiro não sair. A calidez me faz tremer as pálpebras, e a não sobriedade em mundo não meu é quase um corte.
O Sol tem outro cheiro, e quando deus chora lá fora, o que cai do céu, são pedrinhas que machucam as flores.E dói. E sangra. Não ama. E não amar é triste...Volto correndo. Tranco portas e janelas.Demoro a sair novamente. Prefiro quando deus chora aqui dentro, é tão mais bonito, fico a enamorar meu samba, dançando por cafés...podendo moldar os raios que chegam, e cadenciar minha dança sem sombras.
(Mamai, em 13 de junho de 2006 - salvador-ba).
Escrito por Maíra às 18h54
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Tenho diversas formas,cheiros,e tons. Vario do amarelo claro ao violeta intenso numa escala de valores melancólicos, mas ao mesmo tempo sólidos.
Sou mulher ou quase. E me sinto quase,quando atravessando a rua percebo que se por minhas pernas for, eu disparo em direção ao sol e evaporo. Sou quase. Quase quando meus olhos encontram os dele e me tremem as pálpebras, e me divirto com a canção desafinada em violão de duas cordas.
Sou quase quando namoro andorinhas e as prefiro aos batuques. Sou quase sem quase ser menina, sou quase sem querer, sou quase não sabendo ser de quase. Quase vento,poeira,canção...
Queria mesmo ser chuva (mesmo que quase) ter o cheiro que faz das noites senhoras, ter o som do piano que pulsa Chopin. Mas... Sou quase. Mulher de aquário em dia de pesca. Não sou. E ser quase é quase um não. Não sei então ser mulher...
Quase sou grãozinho de areia que incomoda. Bacia de lavadeira com roupas de molho em sabão de coco. E de um jeito muito meu de quase não se-los. Rebobino fitas de corações mordidos. E com melaço e manga lavo meus cabelos em quintas sem feiras. Não gosto de quases em supermercados. Mas ainda sou pouco para barracas e cheiro forte de pimenta sem reino.
Quando não me olham sumo. Incolor.Chata. Chamariz de luz fraca. É só amanhecer com certezas que fico assim. Sou em dúvida um carrossel manual, como caixinha de jóias e repito a canção (como Bem-te-vi que quase sou) toda vez que me abrem, me fazem girar , e guardam-me sem perceber o quanto estou tonta. OU quase assim.
(Maíra Guedes - 02 de fevereiro de 2005 - entre meia noite e uma hora, Salvador-Ba)
Escrito por Maíra às 14h09
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Diálogo
Sim moço! Sou filha do asfalto. Queria mesmo ser da terra, vinda do mato, com cheiro de fruta do pé. Mas não. Sou filha da rua. Quadrada,podada e criada. Sou filha de um carnaval da carne. Não conheci quem conhecesse Pierrot ou Colombina, Arlequim é o que chora? Nasci filha mulher, nunca menina. E duvido de quem seja. Sim moço! Sou filha de puta! De esquina e caminhão. Sou filha de um sonho que nasceu na contramão.
(Maíra Guedes - Salvador-Ba,17 de fevereiro de 2006-23:58h)
Escrito por Maíra às 15h06
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Sabia que seria o último.Subi as escadas com o coração palpitando em pulso Beethoven.No corredor lá estava. Calmo,sereno.Cansados,seus olhos caminhavam.Como?Eu não sei.Mas seguiam cada vez mais para longe:"-Vem?", "-Não quero." , "Por quê?". Não respondi.Não sabia, mania de porquês, eu não queria,não sentia.Me concentrava no ritmo que meu coração costurava no peito para não chorar: TUM.TUM.TUM. Como porta sem campanhia. Batidas cada vez mais fortes.Eu não ia.Por instantes pensei que a porta de dentro de mim seria derrubada,as batidas eram agora chutes.Vai pular a janela" pensei.Fui correndo e tranquei todas elas.Eu ia explodir.Não sei ainda me teletransportar,e agora sem saída.O que fazer? Parada no corredor,me obrigando a negar a tristeza de camarim de palhaço.Virei para o lado. Sóbria como certeza de presente de aniversário que vem embrulhado e cheio de fitas. Último. Saio correndo.Derrubo garrafas,restos de cartas,ponteiros com mofo.Não tive coragem de dizer que não voltava.Por cada cômodo que passava trancava as portas e colocava as chaves e cópias lá dentro pelas frestas.Sem direito a adeus. Eles são agudos demais.
(Maíra Guedes - salvador-ba, fevereiro de 2006)
Escrito por Maíra às 12h34
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Tenho um mundo de passarinhos dentro de mim. De manhã cedinho eles saem para buscar pedrinhas nas roupas que ficam de molho nas bacias das lavadeiras. Um deles me trouxe um lençol azul pensando estar trazendo o céu.Eu deixei.E todos os dias ele voava mais cedo que os outros, antes do Sol sair,para trazer estrelas do lençol mais escuro.Todo dia uma.Mas quando postas no lençol azul elas sumiam.O passarinho não entendia.Preferi deixá-lo perceber.Aos poucos o céu dentro de mim não cabia estrelas.Foi quando ele me trouxe um lençol vermelho.Agora eu,acustumada a ter pedrinhas de bacia tinha um céu e certezas dentro de mim.Ele agora levava as estrelas para o vermelho e ficava a adimirar o brilho estranho que saia do coração delas.Um brilho cor de amora.Eu as comia como fruta,e decidi que as mais vermelhas seriam tranformadas em doces em compota.Não tive como não preferir este pássaro.Aos poucos os outros começaram a não voltar,e eu fui ficando sem pedras...apenas com meu colibri amarelo, dois céus e doces de amora em compota.
(Maíra Guedes - Salvador - Ba, 23 de janeiro de 2006,19:08h)
Escrito por Maíra às 16h12
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Damascos,ninfetas e elefantes...
Minha porta não tem olho mágico. Reconheço os que chegam pelas batidas. Aquele veio manso. Moço de longe,de onde pegadas se espantam e correm para perto dos pés.
Moço manso, que de perto vem mar, de longe vai vento, vem sombra,lamento... vem som,faz silêncio. Vem sonho e não volta.
E quando sobe as escadas desenha os passos com o vento. Tudo fica canção. Paroles preparam sua danças pelas línguas que caem sobre os neófitos. Quando ele vem tudo se prepara para o azul, até as margaridas... Principalmente as relações frágeis. Tão porcelanamente criadas em auroras ainda mais frágeis.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba , 09 de janeiro de 2006, 22:35)
Escrito por Maíra às 15h54
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Flácidos!Meus sonhos estão flácidos!
Socorro! As celulites e dobras invadiram utopuias belas...
Estão espalhados pelos sorrisos,olhares,
invadiram as lembranças!
Sugiro uma lipoaspiração!
Sim! Sim! Se a tecnologia permite
vamos retirar as estrias do cérebro humano!
Vamos pensar na estética da globalização!
Vamos pensar na plástica do nariz do mundo!
Empiná-lo mais?
Ah! Chega!
Deixem minha bunda em paz!
(Maíra Guedes- 25/12/2005 - Olivença-Ba)
Escrito por Maíra às 15h16
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No tempo dos amores perfeitos dançar entre correntes era de olhos vendados. Lá,a modernidade(chata) concordava com os açúcares diários dos cafés nunca amargos. No tempo dos amores perfeitos não existiam adoçantes, convervantes,fortificantes,anabolizantes... Era tudo sintonizado com a canção da estação de rádio que jamais se repetia. Mulheres,homens,plantas,papagaios,cachorros e fredericos em harmonia constante com os travesseiros e cordas. Tempo atemporal. Relógios congelados as 4:57 da tarde. Um cheiro de praça misturado ao de tangerina e cacau era o preferido da moça que não tinha um amor perfeito. Mas mesmo assim ela parara seu relógio, tinha um papagaio e um frederico. Mas acordava taciturna. E nas manhãs entre 7:30 e 8:30 um moço passava na porta de sua torre. Era o único instante em que sua vida era 4:57 da tarde. O moço nem imaginava que causava instantes de amor perfeito para a menina. E ela jamais falaria. Imagine correr o risco de nunca msi ter sensações de 4:57 da tarde? Ela não sabia se ele já possuia o seu amor perfeito, e a única Lei do Mundo do Tempo dos Amores Perfeitos era que ninguém poderia desejar o amor perfeito do outro. Se o fizesse seria condenado a viver eternamente as 11:49 na manhã. O pior dos castigos. E ela se mantinha triste,com seus instantes de sublimação. Sem saber se aquele que passava poderia ser seu amor perfeito. Do outro lado, o moço chegava em casa e ia escrever cartas para o seu amor perfeito que um dia chegaria já que a moça da torre para ele não sorria... É. Mesmo no tempo dos amores perfeitos sonhos existiam, e para eles, a realidade.
(Maíra Guedes - Olivença - Ba,25 de dezembro de 2005,as 13:38)
Escrito por Maíra às 03h24
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Separados pelo pano costurado, por agulhas e linhas de canções
o som daquele mundo amargurado fazia sombra em meus lençóis....
como podiam ser milimetricamente pontuados em cordas?
e que outros seres ressonariam nas forcas?
Amarrados em quartos não morreremos.
Seremos cinza.Isso é triste.
Seremos o passado de um futuro que não veremos,
não haverá o presente, não teremos escape.
Sem válvulas, ou corredores.
Ele me contou que as amoras perdem o gosto.
e meu olfato silencia minha dor....
já não sinto ou toco, pelo amor tenho desgosto.
Ela continua a girar em meu peito,
brincando entre os lençóis áridos das paixões
de todos os meus caminhos desfeitos...
não, por mim, beleza da aurora no ocaso não ponho...
dela já é tal magnitude e o infinito..
Escrito por Maíra às 21h46
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1854
Peculiar coração que sobrevive por tubos enferrujados,
não mais tem dado piruetas, seguido borboletas e nadado por jardins?
Não consegue mais dizer nome de flor,
tem a vida nos passos da pequena primavera,
sem poções ou olhares...
Então como saber?
Tentando deitar no chão,
torcendo pra virar grão,trigo,canção...
ou ser planta em dia claro!
Eita busca estranha por lampejos e madrugadas!
Ter a primavera nos olhos é como canonizar o tempo do mundo em versos ...
de onde caem gotas aceleradas sobre a pele,pêlos, cílios,
com cheiro de cravo e sonhos de maracujá,
acariciando a lágrima trancada,
libertando a parole inventada,
tocando o rosto apagado na luz,
suprindo as certezas que deslizam no beijo doce que sopra do azul...
(Maíra Guedes e Alex Barbosa – primavera de 2005)
Escrito por Maíra às 17h42
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A baiana e o Conde
Quando surgiu, boca, mãos e olhos trêmulos, trouxe certezas ao meu coração,
desde então sigo em curvas, delineando o espaço,
trazendo à vida a anti-ética pressuposta nos sonhos,hoje não mais calma.
Falar é estranho, as vezes prefiro escolher palavras, de forma que as coisas tenham sentido,
mas nem tudo precisa ter sentido, ou ser exato.
A exatidão é chata. mas necessária...e você é assim, exato...
Mas meio passarinho que se metamorfoseia, e é exato em cada uma de suas fases...
mas de uma exatidão sem sentido.
O que torna a certeza inexata...os sentidos infiéis, e os sonhos possíveis.
(Maíra Guedes- Salvador - Ba, Primavera de 2005)
Escrito por Maíra às 16h44
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A quase fábula do Menino do dedo azul e olho preguiçoso
Quando saiu da cartola
como quase mágica
já se pôs sorrindo
para encantar duendes.
Vestido de luz,
brincava de ser pirata
(ou um quase pirata)
que quase podia voar...
Quando dormia visitava o céu,
e ao acordar,
nuvens amarelas e lilás
estavam espalhadas pelas palavras
qua misturavam-se nos lençóis.
Foi então que um Pirata,(não um quase pirata),
descobriu que o Menino podia trazer as nuvens dos sonhos.
Ganancioso que era,
procurou uma bruxa que vivia num pé de alface,
pediu uma poção para que o Menino não mais acordasse
e só fizesse nuvens surgir
A bruxa então lhe deu;
A RECEITA DA POÇÃO DO OLHO PREGUIÇOSO:
* 7 gotas de goiaba
* 7 gotas de limão
* 7 gotas de alecrim
* 3 gotas da essência da primeira nuvem que surgisse,
mas essa deve ser lilás.
Se a nuvem for amarela o Menino teria o poder do dedo azul.
Sua alma seria eternamete mágica,
e não mais quase mágica.
Podendo então encontrar finalmente os duendes.
O Pirata ( de verdade) providenciou o que era necessário,
e durante seis dias esperou que a primeira nuvem fosse lilás.
No sétimo, impaciente,
retirou a essência da primeira nuvem lilás que apareceu,
não da primeira de todas as nuvens, essa foi amarela,
mas ele pensou que podia enganar o Deus das Poções
e destruiu as duas primeiras nuvens amarelas.
Pingou no olho direito do quase pirata
sete gotas da poção do olho preguiçoso,(na verdade quase poção...)
De imediato uma luz azul invadiu os lençóis e as palavras...
o Menino (quase pirata)tinha agora o dedo azul.
O Pirata ( ex- de verdade) fugiu.
O Menino continuou a dormir.
Sonhou nesta noite
que todos no mundo
tinham o dedo azul...
As quase pessoas eram agora ; pessoas,
os quase amores ; reais,
as quase almas; sublimes.
E o quase pirata agora um grande Menino
que pode voar para sempre.
( Maíra Guedes - Salvador - Ba, outubro de 2005 )
Escrito por Maíra às 16h30
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Fábula do Sorriso de Pamplona
Quando a porta rangeu,e as crianças retornaram do passeio no Sol cheia de sonhos, os moços da Terra descobriram o poder das pedrinhas d'água que sobrevoavam o lago. Talvez sem sentido, mas trouxeram com elas um Mago púrpura que entoava canções de ninar e sorrisos para flores e rochas. Um dos sorrisos,Menina de Pamplona, encantara-se com o Mago que trazia em teu colo pássaros.
Diferente dos outros, esses não possuiam gaiolas. Era novamente primavera,as frutas tinham gosto de serenidade. Os corpos se uniam a contemplar as cores, descobrindo entre suas mãos a certeza do retorno à vida. E distante do que poderia ser real, a sublimação chegou àquela vila. E agora,nem a certeza, nem o gosto triste da saudade jamais se aproximariam daqueles sonhos outra vez...era primavera...
( Maíra Guedes - Salvador - Ba, 05 de outubro de 2005,às 14hs )
Escrito por Maíra às 14h12
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Ela acordou, lavou o rosto na bacia d'água encostada ao lado da cama,
levantou para abrir o armário e escolher o sol que vestiria essa manhã.
Decidiu que queria de nuvens.
Hoje não desejava que seu rosto fosse de pássaros.
Ao sair encontrou pés que não os seus a caminhar tão cedo pela encosta.
Estes, tentavam-na convencer a cortar os cabelos que caiam sobre seus ombros.
Insistentemente a seguiram com tesouras nos dedos e paroxítonas nas línguas.
Ela fugia.
Uma das tesouras a feriu,
e quando a primeira gota de sangue despencou do céu,
as nuvens se agitaram e tempestades fulminaram o rosto que outrora queria cobrir.
Voltou para casa triste, taciturna.
Lavou os pés na bacia encostada na porta da cama...
deitou-se de forma que não pudesse mais levantar,
e escolheu não não mais ter sonhos.
( Maíra Guedes - Salvador-Ba, 04 de outubro de 2005 )
Escrito por Maíra às 17h12
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Adoro cheiro de praça. Principalmente entre quatro e meia e seis da tarde,
porque o Sol torna-se calmo, as nuvens dançam de forma fluida,
e os pássaros conversam com as árvores. Como uma eterna primavera.
As pessoas caminham devagar. Diferente das do mundo careca.
E a gente escolhe o tempo.
Dizem que no céu você tem um espaço seu,
e escolhe que momento do tempo ele vai ter.
O meu vai ser de praça, sol do entardecer, rosas azuis,e muitos pássaros violetas e amarelos.
Os sorrisos serão espontâneos, e as horas não vão existir.
As árvores serão altas, com folhas verdes e laranjas,
e seus caules terão forma de moleque que rouba manga.
É essencial : muitos carrinhos de sorvete espalhados por metro quadrado,
e sabores que nunca vão acabar: jaca,pinha, tapioca e morango...
Flores de chocolate, uma lagoa de contos de fadas, com aquela pontezinha no meio...
muitos magos e sereias à margem...
Tudo será sonoro.
E o amor será música surgida com o SOl... que jamais renuncia.
( Maíra Guedes - Salvador - Ba, noite de 24/08/2005 )
Escrito por Maíra às 15h09
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O que seria a vida se não uma loucura com tempo determinado?
feita de mesas espalhadas, cadeiras lustradas por nuvens,
aquelas das manhãs que formam flores e formas...
Só existem dentro de nós agora nuvens...
podemos então escolher amanhecer,chover,esperar...
podemos até escolher não passar,
e ficar esperando a menina de saia rodada subir o monte para avisar ao sol
que ele pode vir tomar café com as macieiras...
e que as folhas podem cair na hora exata em que o vento passar,
temperando os rios que carregam os barcos,
que levam as lamentações daqueles...
eles..
que ainda estão presos à vida.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 11 de agosto de 2005 )
Escrito por Maíra às 13h14
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Gracejos atemporais do tempo... ou a Princesa do Crepúsculo
Voa enquanto solta mentiras pelos céus,
cambaleando entre as nuvens amarelas que fingem ser azuis,
um sol de murmúrios surge entre os cabelos dela... que voa...
Como um velho de pijama velho e voz rouca de trovão,
os cabelos quase violetas da moça chorosa desfalecem no torpor da madrugada,
pressentindo a dita hora de se despedir da luz do dia, das cores e das formas,
de uma vez e por quanto houver eternidade.
E o moço lá de baixo segue turvo,
sente o cheiro dos cabelos que esvoaçam e trazem as nuvens,
e faz o céu parecer algodão doce,
frágil...
como fumaça que se desfaz no mesmo vento que traz..
Deseja heroicamente trocar seu corpo pelo dela,
sua alma pela dela, sua vida pela dela,
como se trocassem de endereços, assim trocassem de destinos,
de celas..
e enfim a salvasse...
Com o peito cheio de leões e os cabelos de facas,
as mãos espadas, e as pernas canhões que erram alvos,
e estilhaçam almas que murmuram pelo chão...
(Renan Claudino e Maíra Guedes - Brasil,noite de 19 de julho de 2005)
Escrito por Maíra às 22h27
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Canção para chamar o vento...
Quero morrer como passarinho,
voar uma última vez,
fechar os olhos e partir.
Não quero lamúrias ou terra sobre meu corpo.
Quero que ele se torne pó
e retorne ao vento;
berço eterno de todas as asas.
As lamentações me farão triste
e as lágrimas hão de cair
como as tempestade que impedem os pássaros de voar.
Apenas vos peço que cantem a canção do vento
para que ele, somente ele,
possa vir me buscar.
(Maíra Guedes - Salvador - Ba,10 de julho de 2005, 'as 09:09 AM)
Escrito por Maíra às 19h30
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Além do Horizonte
Mazoni e Évelin escreveram para mim este texto antes de eu vir para Salvador, há 3 meses atrás, me emocionei muito,e,descobri hoje que eles me tocaram no futuro, hoje presente, me descrevendo a alma...
"Além do Horizonte
No afinco de seus sonhos arde sua alma, forte e terna como o feto no ventre que insiste em crescer para se tornar o que não imagina.
Quem dirá farpas contra o que seus redondos olhos vêem como realidade, mesmo sendo este seu concreto uma massa invisível, preparada por seus desejos?
Obstinado, tremula seu corpo como flâmula a declarar liberdade,vibrando em direção ao horizonte vislumbrado,seguindo sempre o rumo do clarão aberto pelas certezas do seu espírito.
Ah, este coração que palpita sem porque ou para quem? No fundo ele sabe que o esperado aguarda o instante preciso para suspender o tempo num segundo eterno de comunhão...
Mas antes disso, e até lá, o passageiro que constrói enquanto fumega o trem,vai indo e vindo em faces e almas, às vezes bem, outras vezes mal lavadas,mas sempre edificantes para os que vão e para quem fica a ver a fumaça da Maria subindo em nuvens.
Vai menina,viver de dizer em seu corpo e lábios a alma do mundo.Vai, sabendo ser no tablado o nobre, o vil e todos os homens e mulheres.
Vai bebendo sonhos e comendo amor, embriagada deste vermute...
Vai e constrói os céus e infernos de sua existência,seguindo seu caminho sem destino incerto, despertando o amor e a dor como é da luz sagrada grafada em seu nome: Maíra.
Até que os rios corram para o mar e nos encontremos na praia de nossas vidas...
Beijos e Abraços carinhosos... Ítalo Mazoni e Évelin Correia
Itabuna 02 de março de 2005"
Escrito por Maíra às 23h51
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Borboletas e piruetas
Sobrevoando a lâmpada ainda apagada,(é quase dia),
está ela a girar, de saia verde e margaridas no cabelo...
Ela gira,bela...e tece liturgicamente o sol que vai nascer,
e faz do canto, a chuva de chocalhos,
e dos cabelos que crescem as flores que brilham com orvalho...
Mas ao fim do dia o sol insiste em brincar de esconde-esconde,
até que some.
A lâmpada é acesa,
e a luz atrai as asas...
atrai os sonhos,
e apaga a vida.
(Maíra Guedes - Salvador - Ba, 29 de abril de 2005,às 15:30)
Escrito por Maíra às 15h37
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Hoje,a noite começou a ter sentido para meus guias.
Ter a presença da imensidão escura antes do deleite é confortante,
Saber que nem só você é sombrio e o que te acompanha é a noite, divina,
obra tão perfeita dos Deuses que retorna pra sempre,
me faz parecer mais humana.
(Maíra Guedes - Salvador - Ba, 06 e 07 de abril de 2005)
Escrito por Maíra às 13h42
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Confesse. A utopia da dona do beijo doce é efêmera,
não marca, passa, parte.
É necessário que a insanidade cale o medo,
torne-se certa,curta, real, e não silencie.
Confesse que as tranças estão enterradas no quintal de janelas amarelas,
por onde ele invadiu como o sol em dia noturno,
deitou fazendo gargarejos e bolhas de sabão pelas horas.
Confesse que ainda sonha,
que ainda quer,
que ainda espera...
(Maíra Guedes - início; 26/12/04 -Itabuna - Ba, término; 19/03/2005 - Salvador - Ba)
Escrito por Maíra às 14h07
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Sorrisos às 23
Parte de mim distante
morre na ausência noturna.
Como retrato que não supriu o tempo,
como o sorriso que não posso ter.
Essa voz,calmaria embriagada,
que me faz percorrer os ruídos
provocados pelo cheiro.
Que me faz meliante matinal
ao te enxergar no café
que paira sobre a xícara.
Sem cobertor, eu me deito vestida de céu
imóvel,tentando capturar vestígios
memorando os segundos de sublimação.
Outro não seria capaz,
nunca,antes de ti,compartilhei sorrisos sem ver o sol.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 17 de fevereiro de 2005,às 23:30)
Escrito por Maíra às 11h22
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Destrinchando a condição humana ou A balbúrdia dos 3 versos ou
(para Well)
Quando terei o direito de lacunar minha mente?
Me despreender do tempo?
Particularizar os gestos findados em fel e esquecer?
Meu Sol se deteriora a cada reticência, a cada parole e pincel.
A dor não precisa do tempo, ou dos versos.
Ela é suscinta, há muito canonizada nos porões das lembranças,
e por isso arde, sufoca, grita, me faz calada, mordida, aguda.
(gritantemente aguda)
E meu dia pálido segue a esvair-se através do quando ainda não partejado.
Esse quando que é o tempo sem ponteiros.
É o tempo que não foi meu.
É o que a mágica dos olhos não pode eternizar.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, noite de 11 de fevereiro de 2005)
Escrito por Maíra às 09h01
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Vim árida, sem direito à morte de memórias.
Meu dia está em putrefação.
Meu quando ainda não nasceu.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba,tarde de 22 de janeiro de 2005)
Escrito por Maíra às 14h31
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Glücklich
Fecundada em teu leito de exuberantes olhos quase vermelhos
estou a solfejar os zumbidos que já não me incomodam.
Se tenho tuas mãos a me girar sob o asfalto
para que desejar as que me fazem sangrar?
Simon, és um mágico!
De cartola Solar,de coelhos com asas.
Me fez repensar a métrica e
abandonar o resquício niilista dos meus sonhos.
Eu, que encontrava-me orfã de anjos,
agora deleito-me com o mais doce deles, a me dedicar palavras,
e caminhar comigo na procura por meu quando.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 31 de janeiro de 2005, às 15:55 )
Escrito por Maíra às 17h01
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Caos clichê
Que sabor terá essa parte de mim que se parte?
Parte inventada por mortos neurônios sentimentais
há muito amputados.
Será parte de outro?
Parte do "Bom dia", das flores, do telefone?
Parte do lado vazio partido em pedaços
cantados numa escala de ruídos nunca presentes?
Serão manhãs ausentes,
parte que nunca foi parte de mim
que agora segue partindo partida,
pedindo ferida um novo coração.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 21 de janeiro de 2005, às 00:28 )
Escrito por Maíra às 10h46
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(Para a Pequena de nossas vidas...)
Da janela vejo a doce pisar o chão descalça,
a se machucar em cacos,a chorar ruídos.
Miúda, a tremer num mundo cinza,
e eu clandestina em tua vida ao conseguir roubar-te sorrisos acalmo meu coração.
Em tempos de máscaras ela é singela,
e ao encontrar sangue nos pés
consegue sentir a beleza do vermelho que escorre de dentro dela.
Miúda, moída, pequena. Perdida num mundo vazio.
Querida a chorar pelo anil,que escorre entre os dedos do teu cobertor.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba, 19 de janeiro de 2005,às 12:40)
Escrito por Maíra às 12h58
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Vontade
Ser seca.
Suscinta e cheia de nada.
Ser calada, morna...
sem ser morta e vazia,
sem ser o que sou sendo eu...
(Maíra Guedes- Salvador - Ba, 13 de janeiro de 2005)
Escrito por Maíra às 22h15
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sete
Surtei quando ouvi minúsculos passos de nada
vindo em minha direção.
Eles possuiam pneus, corpo de mármore, e de oxigênio.
Um dos passos estagnou e encontrou meu cheiro.
Marcou-me com a língua e partiu.
(Maíra Guedes - Salvador - BA, manhã de 10 de janeiro de 2005)
Escrito por Maíra às 11h43
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Partejo
Ele é triste.
De um colorido cinzento,
tem a mão fria, e o olhar gelado.
Ele é mestiço,
vindo do acasalamento infértil de dores.
Possui nos ombros todas as pernas,
que depois do calar não mais são suas,
aos olhos dela na boca tem formigas...
como a certeza do não retorno,
do vaso em pedaços daquele antigo monótono ataque de ira,
da mesa vazia,
do caos sem surpresas...
(Maíra Guedes - Salvador - Ba, 08 de janeiro de 2004)
Escrito por Maíra às 21h02
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Sonhos
É nostalgico
pensar que tudo retorna,
como um ciclo indizível,
como uma alegria ilógica,
como utopia calada.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 06 de dezembro de 2004, meio dia )
Meu
rio não
tem horizonte.
Ele não acasala.
Ele se cala com pedras,
batidas, secas, de cimento.
Por ele passeiam corvos de bicos vermelhos
e pernas compridas, e eles são iguaizinhos a mim...
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 06 de dezembro de 2004, meio dia )
Escrito por Maíra às 14h49
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Repulso
O mundo parou...
turbilhões, maremotos, sentidos catastróficos,
sentimentos de sabores e rancores entrelaçados
num segundo de tempo eternizado...
E a turgência...
a urgência,a carência do sol...
tudo parecia fazer parte do que não podia acontecer...
como junção de elementos contrários...
como tudo que rangia, gritava, mordia, chorava...
Em momentos esquecidos ela ia mininamente morrendo
consumida pelo mundo sem promessas...
pelo mundo de mãos vermelhas...
pelo mundo de responsabilidades...
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba, 03 de janeiro de 2005, às 9:37 AM)
Escrito por Maíra às 09h12
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(Para Zezinho)
Ele é um grande singelo,
tem mãos, tem calos, tem medos...
Reflexos azuis assustam sua mente,
se faz vazio, inerte, e foge dos pensamentos.
Como se machucado pelo céu
ele se esconde atrás dos olhos...
Sem dizer o que te fere, o que amarga,
ele silencia seu corpo seco e doce
e se tranca num mundo seu....
A quem permite entrar não se sabe.
Sabe-se apenas que é um mundo lírico, lindo...
Mundo de sons, de gestos, de cores,
é um mundo de Zé...
( Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 26 de dezembro de 2004 )
Escrito por Maíra às 10h00
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Penso que enlouqueci.
O rosto encontra-se parado em meus olhos
e a voz não descansa.
Idolatro o contra-cotidiano,e me embriago com palavras que não me pertencem.
Enjoei da mesmice, da não criatividade dos amores diários.
Enjoei da insistência em ouvir eu te amo,
enjoei das linhas, do cobre, dos versos monótonos.
Não mais o mesmo, nem ser a mesma.
Não quero achar tudo chato, mas quase tudo é chato...
Dane-se.
Não quero mais os zumbidos das mesmas moscas,
ou donas dos lençóis...
É certo que me manterei hipócrita, dissimulada,
não dá para querer ser tudo,
mas não posso me contentar com o quase nada.
Novamente penso que enlouqueci,
me entregaram janelas e descobri absurdos dentro de mim.
Só que não me deram portas, muito menos chaves,
só um vaso para ser quebrado num outro monótono ataque de ira.
É certo. Estou insana.
Surtei por valores que não existem,
me afoguei num calabouço de mercúrio,
e retornei em fogo, totalmente louca.
( Maíra Guedes - Itabuna - Ba, noite de 23 de dezembro de 2004 )
Escrito por Maíra às 09h58
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Sussurros noturnos
Ele fala baixinho por entre a madrugada de faróis que não existiu.
Deitada, ela tenta imaginar a junção das almas.
Mas ele entra sem falar,
ou se contenta com linhas...
...e isso arde, trepida...
Perfidamente cala, concentra e não cumpri.
Despertá-lo ao som de cantos,
e derramar vacilos num ardil asfalto
que queima na noite densa, que não passa,
nas roupas brancas que não secam,
num varal que não existe...
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 22 de dezembro de 2004, às 9:50 AM)
Escrito por Maíra às 09h46
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FIM
Quando A Intrusa acorda percebe que é tudo
Mais azul do que se pensa,
Mais calejado, mais amargo,mais fascista...
É como filho que nasce morto.
E ela agora é como mãe que agoniza no hospital
Ao ver o corpo da cria sem pulsar.
“Vidas não são sutis”...pensa.
Partejando sangue, ela levantou nua,
Passou pelo jardim desprezando as sensações que
Antes há haviam feito emprenhar a vida.
“Em momentos assim,
os abortos são as melhores escolhas.” Pensara.
Ela seguiu pelo asfalto deixando rastros,
Deixando cheiros,marcas,corpos...
Ela seguiu,seguiu, seguiu....sem retorno...
(Maíra Guedes – Itabuna – Ba, 17 de dezembro de 2004, às 10:50 AM)
Escrito por Maíra às 11h09
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Instinto ou Adultério II
Ele não era purista.
Se via num emaranhado de sensações paralisadas e pulsantes paralelas,
cataclismas clandestinos.
Não poderia mais fingir.
Deixou a que sangrava sobre panos adormecer
e correu para o jardim destruído.
Ela chorava sobre os espinhos secos,de flores que antes eram suas,
ele confessou em parole e pediu remissão por ter amolado facas em tua cama,
mas ela devia saber que ele é fraco, que as tentações sem o amargo do cotidiano
tornam-se sutis, azuis...
Ao ouvir falácias serem cuspidas ela gritava ainda mais...
Ele sabia que não deveria...mas sucumbiu a desejos sempre latentes...
E não se arrependera, A Intrusa havia feito a vida pulsar novamente em suas artérias...
Escrito por Maíra às 09h52
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Adultério
Cristais brutos sussurrados se partindo na chuva.
Foi assim...
Quando abriram a porta as flores estavam espalhadas pela cama,
ela mastigava pétalas,engasgava amores,
ratificava todas as pungentes dores sentidas em meio aos lençóis.
Ele ignorava, fingia ser cego.
A Outra chorava pelo jardim destruído,
"Uma intrusa" pensara ela, que invadira sua cama,comera suas flores,
e agora sangrava por seus lençóis.
(Maíra Guedes - Itabuna - BA, 14 de dezembro de 2004, às 9:55 AM)
Escrito por Maíra às 10h01
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Alfa...
Ele me faz ser maniqueísta.
Me força a agonizar o belo.
Somos clandestinos,caçados,mordidos...
A incompletude que ofusca a razão dos meus sentidos,
sentidos de cimento,asfalto e cobre,
sentidos irregulares, secos como escritos de sua alma,
amargos como os desejos instintivos que ludibriam meu corpo,
e que me fazem desejar ainda mais...
(Maíra Guedes - Itabuna -Ba, 12 de dezembro de 2004, às 12:19 )
Escrito por Maíra às 12h19
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Narrador
Ela se manteve calada por um longo tempo.
Deitada de bruço,imóvel,como se morta,
cravada pelas palavras que não pronunciei.
Será isso? O Silêncio hemorrágico.
...
Ela continua lá.
Agora com os olhos entreabertos,
meio vazios, meio de multidões,
parte de luz,parte de nada.
Parte do que não quis que fosse,
e por isso partiu,só deixou o corpo que continua empedrado.
Só que agora ela não parece morta...
Ela está...
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba, 10 de dezembro de 2004, às 13:18)
Escrito por Maíra às 16h03
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Pés distantes em mãos ausentes
Sobe o monte cego
sigo a caminhar por palavras e lembranças.
Sinto seu olhar sob minha nuca,
a censurar meus passos.
Mas você não está.
Morri. Rasgo minha garganta com gritos efêmeros
e mãos ausentes.
Espalho flores secas pela casa vazia.
Toco meu silêncio,
e Deus se faz presente em meus sussurros.
( Maíra Guedes, Itabuna - Ba, 13 de março de 2004)
Escrito por Maíra às 09h40
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Soneto de Crucificação
"Gelado, o chão áspero, a luz está apagada. Apenas um ponto de luz vindo em direção à sombra feita pelo vinho derramado nos lençóis brancos, mas sujos... Como cataclismas vão rolando lágrimas por entre beijos,
por entre as horas que não passam, o barulho que não cessa,
gemidos e sussurros insanos, suor e sangue .
Sentidos se confundem entre o cheiro de vinho e luxúria, no chão gelado dois amantes melancólicos, uma taça quebrada e vazia, castigando suas almas.
A dor que sufoca o peito acariciado,iluminado pelo ponto de luz. Os dois amantes deitados no seu leito de morte e desejo,
como um amor proibido pela escência pura e suja”
( Maíra Guedes e Igor ArcAnjo - Brasil ,1 a 3 de dezembro de 2004)
Escrito por Maíra às 16h44
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Segredos
O tempo estagnou
como manga verde e poste que amanhece e não se apaga.
Parou. Morreu. Esqueceu de correr.
Se ajoelhou nas paredes que não respiram nem inspiram.
No relógio de 7 ponteiros os números se ambaraçam
como cadarços ao varal de vento sem paradoxos.
(Maíra Guedes - Itabuna -Ba, 02 de dezembro de 2004, às 16h)
Escrito por Maíra às 16h08
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C .......... O ...........T............. I ............ D............ I ............ A ............. N .......... O
Procuro-a em todas as esquinas de domingos cinzentos.
Em todas as palavras clandestinas que fecundam as segundas...intenções...
Busco-a inteira,sem terça parte não a aceito em meu quarto de pedras.
Não a deixaria fugir nem para quitar dívidas de quintas quentes,
e quando chegasse a sexta anterior a Saturno, eu choraria,
porque domingo ela minimamente morre, não mama, não ama,
não sofre , e tudo retorna, o monótomo que ociosamente não é igual.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,noite de 20 de novembro de 2004)
Escrito por Maíra às 17h30
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Poema de Jardim no Pretérito Imperfeito
( Este poema foi escrito para outro poema; Flores no jardim do livro "Flores do Caos" de Ulisses Góes,poeta itabunense,aqueles que ainda não conhecem esta obra perdem grande oportunidade. Ulisses me fez sentir o que antes somente Pessoa havia feito,desejar que o poema não terminasse de tão delicioso e sublime... por tudo isto eu escrevi este,que pode não ter a grandiosidade de Ulisses mas tem meu coração entregue)
Não, hoje não escreverei versos simples e absolutos,
nem sei se ficarei com a sensação de ter escrito tudo,
pois dentro de mim sempre falta alguma coisa.
Te entregarei no próximo janeiro uma bandeira feita de
pétalas vivas, pétalas que durarão para sempre,
pois nascerão em mãos de Almas puras.
É preciso dizer tudo. Libertar todos os gritos,
todos os pés, todos os sonhos...
Pedirei a meu Anjo que derrame chocolate em teu coração,
assim,se quiseres oferece-lo para ela...aquela da janela...
ele estará doce como seus versos.
( Maíra Guedes - Itabuna -Ba, 15 de março de 2004)
Escrito por Maíra às 17h11
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Canção para o dia que o homem aprender amar o sentindo de viver...
Dizem. Mas não dizem o que querem dizer.
Falam de falar que falo, o sentido de sentir sentidos.
E de repente, repentinamente, o repentino resto, se resguarda em riso.
Aparece em meu parecer, aparentemente aparando, e pára.
Vem voando como voa o vento,
viajando em vida vasta, e volta.
Depois de transformar a trasnformação transcendente ao todo...segue...
E esse tempo que se perdeu tentando ter a ternura terna,
foi simplesmente seguindo e sendo,
para um dia poder dizer que te amo.
( Maíra Guedes - Itabuna -Ba, 13 de agosto de 2002, às 10:02 AM)
Escrito por Maíra às 11h42
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Em todos e a todos
Quentes. Gelados em gritos sussurrados.
Em mãos surradas que suam.
Em mortes perdidas em parques.
Em berços de sorrisos mornos que murmuram o seu palavriar molhado, calado...
...em faces fascistas sem o fascínio de sorrir...
Como chuva escorrendo.
Como cicuta em cálices de cristais.
Deito em seus pés florais, derramo-as em teus dedos e adormeço...
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba, 14 de março de 2004 ,às 21:01, brincando de poesia no Bar Medieval no dia da Poesia com Ygor Schimidel)
Escrito por Maíra às 10h34
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O Girassol
Hoje eu acordei com as mãos frias,os olhos vermelhos, a boca trêmula e seca.
Olhei pro lados, você não estava.
Percebi que meu corpo reagiu como se atingido por um vírus mortífero...
Todas as manhãs durante anos acreditei que quando acordasse
você estaria com os braços entrelaçados em meu corpo;
mas você não voltou.
Visitei os céus e os 9 infernos a sua procura.
Fui ao submundo e à perfeição,
sempre na esperança de um dia acordar e te ter ao meu lado,
ou quem sabe te ouvir cantarolar às 6 horas da manhã enquanto se banha...
Foi quando em uma das buscas conheci um Anjo...
E hoje planto girassóis, cultivo sonhos,
me arrumo todos os dias assim que levanto,
ajeito o cabelo como você gosta e vou ao jardim.
Observo os girassóis crescerem na esperança de que com eles eu te veja renascer.
( Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 21 de maio a 03 de julho de 2003)
Escrito por Maíra às 08h47
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Profecias...
descrevo coisas nas linhas invisíveis, descrevo meu itinerário,
sinto as dores duplicadas, sei que as vou sentir.
é surreal e ao mesmo tempo tão presente que penso ser alucinação.
faço canções descrevendo meu sangue, em seguida sangro...
como explicar não sei,
sei que choro, que me corrói, que você tem culpa.
lágrimas dentro de mim se repetem como prosa eternizada,
como o zumbido de uma mosca que fica, fica, fica...
como aquela música que não sai da cabeça.
me martirizo, sei do amargo sem direito a amoras de amores mordidos,
de calores regidos por canções desesperadas,
ainda não sei o que quero sentir.
( Maíra Guedes - Itabuna - Ba, primavera de 2004 )
Escrito por Maíra às 10h37
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PIAZZOLEANDO

"Perdi-me muitas vezes pelo mar,com o ouvido cheio de flores recém cortadas com a língua, cheia de amor e de agonia ... muitas vezes perdi-me pelo mar,como me perco no coração de alguns meninos. Perdi-me muitas vezes pelo mar,ignorante da água,vou buscando uma morte de luz que me consuma"(Garcia Lorca)
Escrito por Maíra às 11h28
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Sem analogias
Ela é vazia, nua, sozinha.
Ela é calada, não corre, não brinca.
Ela é triste, caida,de inverno.
Ela só tem fotos em preto e branco.
Ela tem febre,
se suicida todas as manhãs,
não dorme,não ama.
Ela é rasgada, doente, amarga.
Ela está morta.
Ela sou eu.
(Maíra Guedes - Olivença,noite de 13 de novembro de 2004)
Escrito por Maíra às 11h00
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Brincadeirinha
Será possível reinventar a pedra?
Ou desfazer e refazer margaridas?
Por mim o tempo parava e as margaridas não morriam...
Por mim o tempo parava mas as pessoas não.
Elas só parariam para ver o tempo parado,
depois retornariam ao âmbito cotidiano,tão "visceral".
E elas escolheriam um momento para ver parar o tempo,
tempo este que seria julgado pelos Deuses se dignos de serem paralisados.
É muito difícil parar o tempo.
Só amantes teriam este direito,
não falo dos fúteis,muito menos dos que passam,
mas daqueles que por si só se eternizam.
E de todo O belo escolher o ápice,o Sol,
e vivê-lo novamente sem que o outro tempo,
do outro mundo passasse.
Agora feche os olhos...
Você vai sentir novamente antes de tudo
o cheiro dos cabelos que esvoaçam
enquanto ela corre pra te abraçar,
quando conseguir vá abrindo os olhos devagar,
sentindo o vento.
Ela está vindo por trás e não sabe que vc sabe que é ela quem chega.
Já sente o calor?
É o corpo dela a se aproximar do teu,
agora ela vai procurar teus lábios...encontrou...
Pronto.O tempo não existe mais.
(Maíra Guedes-Olivença-Ba, tarde de 14 de novembro de 2004)
Escrito por Maíra às 09h34
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Ocasionalmente eu amo
Tenho medo que o tempo não chegue a tempo
do meu tempo temperamental que teme o que
tampa tendo o que tinha quando o tempo
não era tempo e o amor era estático,
não passava, não prendia nem perdia,
era ele sem saudade, sossego, soldado, sorvete,
era moleque jogando bola, bulindo na panela,
correndo pela casa,se lambuzando de manga e chocolate.
Tudo quando o amor não tinha um tempo,
nem o tempo,nem temperamento.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,25 de outubro de 2004,às 19:50)
Escrito por Maíra às 10h29
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Canção
Ouço um grito aparatoso,sem conjugação,
totalmente conjecturado.
Será loucura desejar a quimera
e utilizar o condão que possui meus olhos?
Pior não seria recorrer a subterfúgios etimológicos
que condenam e absolvem ao mesmo tardar todas as línguas?
Ouço gritos de meliantes decapitados a andar dentro de mim.
Não me entregarei a prostração.
Que importa o tempo e as quedas
se nem toda utopia é abstrata?
Alguns é que não sabem senti-las...
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,28 de outubro de 2004,às 10:57)
Escrito por Maíra às 15h06
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Por mais que eu tente continuo a sentir-me erma,
em meio a colméia sinto-me nua,
pouco propensa a ser melhor.
Preciso sair.
O chão de cimento não facilita minha dança,
machuca.
Em meio as abelhas sinto-me mosca sem sapatilha.
Sinto-me azul,calejada,caindo...sem ar...
Mãos...aonde estão que não me veêm?
Em febre preto e branca saio pela porta da frente,
mordo as sapatilhas e
deixo meus pés sangrarem no chão de cimento.
(Maíra Guedes- Itabuna-Ba, 25 de outubro de 2004, às 13:40)
Escrito por Maíra às 11h51
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Você vê,eu vejo. Mas não olhamos, não sentimos,
e se choramos não agimos.
Somos como abutres que rodam as dores.
Calados. Colados. Colares sufocam os saltos.
E eles choram. E nós? Ah! Nós vamos ao shopping,
Comemos no Mc'Donald, fazemos compras
e eles?
Eles choram,eles choram, eles choram, e choram, choram, choram...
de fome,de fome, de fome,de fome...

(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,15 de outubro de 2004)
Escrito por Maíra às 15h50
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Que-bra-ca-be-ça
O mundo a girar em meus pés, o que vem;
os pés a rodar pelo chão, vai,
o chão a tremer entre a água, que vai;
água a derramar sobre a terra, fica,
a terra a chorar sobre o mundo. que fica e some.
o que some; MORRE.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,15 de outubro de 2004,às 9:35)
Escrito por Maíra às 09h35
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A Filha
É estranho gostar do que não pertence a veia.
É estranho querer o que não pertence aos sonhos.
Ainda mais estranho é saber que outros sofrem
com o que se rompe
e se costura com outra linha,de outra cor,
com agulhas desconhecidas,
mas tão sutis que encantam.
É estranho,as vezes parece que anos se passaram,
ou minutos que pararam à mesa,na cabeceira...
É estranho,mas é singelo,
e a minha frente o novo incerto
mas de sorriso doce,cabelos volumosos e
olhos vidrados nas pernas que passam
sem sentir os pés na terra.
Num mundo que ela não mais vive,
porque agora parece sentir os pés...
Mas eu sinto medo.
E se ela cair?
Não agüento mais vê-la sangrar.
(Maíra Guedes- Itabuna-Ba,15 de outubro de 2004,às 9:20)
Escrito por Maíra às 09h27
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Sonhos são Margaridas Azuis.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,14 de setembro de 2004)
Escrito por Maíra às 15h52
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ser singular é difícil
traduzir quereres ainda mais.
a formiga, o pneu e a boca seriam a
mesma coisa se o homem
permitisse.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,14 de setembro de 2004)
Escrito por Maíra às 15h41
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A
música
tocada em
silêncio, enebria
os já dormentes
corpos , faz balançar
folhas secas em dias
VERMELHO ÁCIDO em dias
sem sonhos , de sombra , sem luz.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,13 de setembro de 2004)
Escrito por Maíra às 15h27
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MARIAS
Marias rasgadas e Margaridas nuas pelas ruas.
Choram violentadas pelo frio da noite mundana.
As vezes escolha outras solidão ,sem paz ou amor.
Sentem ódio de Deus e atestam abandono,
não imaginam elas que são templos ou anjos,
hoje caídos,em ruas imundas,arrastadas,
e sendo engolidas por tantos prometeus.

(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,entre 13 e 14 de setembro de 2004)
Escrito por Maíra às 14h22
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CONTO DE FADAS
( P/ as Almas que buscam e hão de encontrar a paz.)
Sabe os dragões?
Os que cospem fogo,
vivem nas torres mais altas
e aprisionam princesas?
É preciso matá-los.
É preciso destruir todos os dragões que
cospem O Fogo que deveria transformar-se em mar.
Quando se mata a sede dos monstros,
castelos desabam, lâmpadas queimam e
olhos se fecham.
Acorda Homem! Para ser a nascente dos mares,
e neles banhar o Dragão Azul.
Abandonar e despreender,
desapreender e perseguir.
Para voar antes são necessárias asas,
mesmo que nossos cegos olhos abertos
não as enxergue.
( Maíra Guedes- Itabuna- Ba,10 a 13 de setembro de 2004 )
Escrito por Maíra às 14h12
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LÍNGUA
É necessário falar
quando o sentido se perde por entre o silêncio.
E machuca.
E corrói.
saber falar é exorcizar palavras,
crucificar saberes,
e embebedar sabores que saem da boca.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,13 de outubro de 2004,às 10:53AM)
Escrito por Maíra às 11h01
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O RITO
A voz do índio,do eu e de nós,
do tiro no quadro de rei,
que é seco e que devo.
E Deus a tocar o sino,
a fritar ovos.
Eu sei do riso,
do isso da noite,
de Zeus a traduzir o deitar do ser,
do som que serei,
do Mosteiro ateu,
e da tarde a subir a ladeira do coração de sol.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,entre 5 e 13 de outubro de 2004)
Escrito por Maíra às 09h34
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VERDADES
Ao entornar palavras
afirmadas,firmes,
cravadas em espinhos
que saem das línguas
que cravam os dentes,
e calam vertigens.
É como se Deus gritasse dentro de mim,
e eles não me deixassem escutar.
(Maíra Guedes- Itabuna-Ba,entre 04 e 13 de outubro de 2004)
Escrito por Maíra às 08h57
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1.461 sóis
E se os olhos saltassem dos sonhos? Se a língua saltasse da boca,
Se o peito saltasse do corpo,
E se minhas lágrimas vivessem?
O SE.
Parece que ele terminou agora,
Porque hoje Elas vivem e Eles calam,
nos machucamos no escuro
por conta das mãos
que já não tem olhos,
nem boca, nem sonhos ou peito.
E sem esforço eles estão para invadir nossas casas
e destruir o que é nosso.
Nos serão roubados 1.461 sóis.
(Maíra Guedes-05 de outubro de 2004-às 18:45)
Escrito por Maíra às 10h00
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CESÁRIA
Aqui ninguém me vê.
Sou invisível,
e as vezes isso me faz tão bem.
Sinto meu corpo com dores de parto,
sinto minha boca a querer dar a luz.
Sinto PALAVRAS,
Não sinto BEIJOS,
Sinto OLHARES,
Não sinto MORCEGOS,
Sinto MORANGOS,
Não sinto CALADA,
Sinto o ROÇAR,
o MORDER, o CALAR,
o QUERER, o FALAR,
e o MORRER.
( Maíra Guedes- Itabuna-Ba,05 de outubro de 2004,18:15)
Escrito por Maíra às 09h48
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Capela
OS OLHOS,
AS PORTAS IMORAIS,
DE SONHOS COM AMORAS
QUE PROVO NO CAOS.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,29 de setembro de 2004,às 14:50)
Escrito por Maíra às 09h41
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Mesmice
Se o mundo fosse azul meus cabelos seriam nuvens,
se o mundo fosse vermelho eles seriam de Sol,
amarelos;grandes,
branco; de água,
e se fosse de nada seria do jeito que é hoje.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 de outubro de 2004,às 20:39)
Escrito por Maíra às 09h39
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FORCA
Por que ele insiste em não chegar?
Por que proclama margaridas lábios
e os lábios torres?
Por que continua?
Põe ratoeiras sem aperitivos,
cava calabouços e não acorrenta,
tudo tão parodoxal,
tudo tão sem sentido
num sentido de vontades
que se espalham no sofá branco
em frente a tv miúda ...
ouvi um barulho....
parece que ele se suicidou do terraço...
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 e 08 de outubro de 2004)
Escrito por Maíra às 09h33
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O Gosto
Caladas as amoras me disseram
que ele veste chambre,
não penteia os cabelos,
passeia por entre as margaridas,
beija cecílias e abraça colméias...
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 de outubro de 2004, às 20:42)
Escrito por Maíra às 09h26
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Paradoxo
A vida do menino.
Os óculos do menino.
As coisas do menino.
A morte da menina.
Os olhos da menina e
os sonhos da menina meninando.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 de outubro de 2004, às 20:35)
Escrito por Maíra às 09h05
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Quintal e Sala
As pequeninas meninas que brincam no pátio
são o resquício do que entornei pela manhã,
palavras curtas que se desprendem de mim
como bolha de sabão que se vai pelo céu
e nossos olhos não enxergam se continuarão vivas...
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 de outubro de 2004,às 20:30h)
Escrito por Maíra às 09h00
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