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Canção
Ouço um grito aparatoso,sem conjugação,
totalmente conjecturado.
Será loucura desejar a quimera
e utilizar o condão que possui meus olhos?
Pior não seria recorrer a subterfúgios etimológicos
que condenam e absolvem ao mesmo tardar todas as línguas?
Ouço gritos de meliantes decapitados a andar dentro de mim.
Não me entregarei a prostração.
Que importa o tempo e as quedas
se nem toda utopia é abstrata?
Alguns é que não sabem senti-las...
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,28 de outubro de 2004,às 10:57)
Escrito por Maíra às 15h06
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Por mais que eu tente continuo a sentir-me erma,
em meio a colméia sinto-me nua,
pouco propensa a ser melhor.
Preciso sair.
O chão de cimento não facilita minha dança,
machuca.
Em meio as abelhas sinto-me mosca sem sapatilha.
Sinto-me azul,calejada,caindo...sem ar...
Mãos...aonde estão que não me veêm?
Em febre preto e branca saio pela porta da frente,
mordo as sapatilhas e
deixo meus pés sangrarem no chão de cimento.
(Maíra Guedes- Itabuna-Ba, 25 de outubro de 2004, às 13:40)
Escrito por Maíra às 11h51
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Você vê,eu vejo. Mas não olhamos, não sentimos,
e se choramos não agimos.
Somos como abutres que rodam as dores.
Calados. Colados. Colares sufocam os saltos.
E eles choram. E nós? Ah! Nós vamos ao shopping,
Comemos no Mc'Donald, fazemos compras
e eles?
Eles choram,eles choram, eles choram, e choram, choram, choram...
de fome,de fome, de fome,de fome...

(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,15 de outubro de 2004)
Escrito por Maíra às 15h50
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Que-bra-ca-be-ça
O mundo a girar em meus pés, o que vem;
os pés a rodar pelo chão, vai,
o chão a tremer entre a água, que vai;
água a derramar sobre a terra, fica,
a terra a chorar sobre o mundo. que fica e some.
o que some; MORRE.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,15 de outubro de 2004,às 9:35)
Escrito por Maíra às 09h35
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A Filha
É estranho gostar do que não pertence a veia.
É estranho querer o que não pertence aos sonhos.
Ainda mais estranho é saber que outros sofrem
com o que se rompe
e se costura com outra linha,de outra cor,
com agulhas desconhecidas,
mas tão sutis que encantam.
É estranho,as vezes parece que anos se passaram,
ou minutos que pararam à mesa,na cabeceira...
É estranho,mas é singelo,
e a minha frente o novo incerto
mas de sorriso doce,cabelos volumosos e
olhos vidrados nas pernas que passam
sem sentir os pés na terra.
Num mundo que ela não mais vive,
porque agora parece sentir os pés...
Mas eu sinto medo.
E se ela cair?
Não agüento mais vê-la sangrar.
(Maíra Guedes- Itabuna-Ba,15 de outubro de 2004,às 9:20)
Escrito por Maíra às 09h27
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Sonhos são Margaridas Azuis.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,14 de setembro de 2004)
Escrito por Maíra às 15h52
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ser singular é difícil
traduzir quereres ainda mais.
a formiga, o pneu e a boca seriam a
mesma coisa se o homem
permitisse.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,14 de setembro de 2004)
Escrito por Maíra às 15h41
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A
música
tocada em
silêncio, enebria
os já dormentes
corpos , faz balançar
folhas secas em dias
VERMELHO ÁCIDO em dias
sem sonhos , de sombra , sem luz.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,13 de setembro de 2004)
Escrito por Maíra às 15h27
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MARIAS
Marias rasgadas e Margaridas nuas pelas ruas.
Choram violentadas pelo frio da noite mundana.
As vezes escolha outras solidão ,sem paz ou amor.
Sentem ódio de Deus e atestam abandono,
não imaginam elas que são templos ou anjos,
hoje caídos,em ruas imundas,arrastadas,
e sendo engolidas por tantos prometeus.

(Maíra Guedes - Itabuna-Ba,entre 13 e 14 de setembro de 2004)
Escrito por Maíra às 14h22
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CONTO DE FADAS
( P/ as Almas que buscam e hão de encontrar a paz.)
Sabe os dragões?
Os que cospem fogo,
vivem nas torres mais altas
e aprisionam princesas?
É preciso matá-los.
É preciso destruir todos os dragões que
cospem O Fogo que deveria transformar-se em mar.
Quando se mata a sede dos monstros,
castelos desabam, lâmpadas queimam e
olhos se fecham.
Acorda Homem! Para ser a nascente dos mares,
e neles banhar o Dragão Azul.
Abandonar e despreender,
desapreender e perseguir.
Para voar antes são necessárias asas,
mesmo que nossos cegos olhos abertos
não as enxergue.
( Maíra Guedes- Itabuna- Ba,10 a 13 de setembro de 2004 )
Escrito por Maíra às 14h12
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LÍNGUA
É necessário falar
quando o sentido se perde por entre o silêncio.
E machuca.
E corrói.
saber falar é exorcizar palavras,
crucificar saberes,
e embebedar sabores que saem da boca.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,13 de outubro de 2004,às 10:53AM)
Escrito por Maíra às 11h01
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O RITO
A voz do índio,do eu e de nós,
do tiro no quadro de rei,
que é seco e que devo.
E Deus a tocar o sino,
a fritar ovos.
Eu sei do riso,
do isso da noite,
de Zeus a traduzir o deitar do ser,
do som que serei,
do Mosteiro ateu,
e da tarde a subir a ladeira do coração de sol.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,entre 5 e 13 de outubro de 2004)
Escrito por Maíra às 09h34
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VERDADES
Ao entornar palavras
afirmadas,firmes,
cravadas em espinhos
que saem das línguas
que cravam os dentes,
e calam vertigens.
É como se Deus gritasse dentro de mim,
e eles não me deixassem escutar.
(Maíra Guedes- Itabuna-Ba,entre 04 e 13 de outubro de 2004)
Escrito por Maíra às 08h57
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1.461 sóis
E se os olhos saltassem dos sonhos? Se a língua saltasse da boca,
Se o peito saltasse do corpo,
E se minhas lágrimas vivessem?
O SE.
Parece que ele terminou agora,
Porque hoje Elas vivem e Eles calam,
nos machucamos no escuro
por conta das mãos
que já não tem olhos,
nem boca, nem sonhos ou peito.
E sem esforço eles estão para invadir nossas casas
e destruir o que é nosso.
Nos serão roubados 1.461 sóis.
(Maíra Guedes-05 de outubro de 2004-às 18:45)
Escrito por Maíra às 10h00
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CESÁRIA
Aqui ninguém me vê.
Sou invisível,
e as vezes isso me faz tão bem.
Sinto meu corpo com dores de parto,
sinto minha boca a querer dar a luz.
Sinto PALAVRAS,
Não sinto BEIJOS,
Sinto OLHARES,
Não sinto MORCEGOS,
Sinto MORANGOS,
Não sinto CALADA,
Sinto o ROÇAR,
o MORDER, o CALAR,
o QUERER, o FALAR,
e o MORRER.
( Maíra Guedes- Itabuna-Ba,05 de outubro de 2004,18:15)
Escrito por Maíra às 09h48
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Capela
OS OLHOS,
AS PORTAS IMORAIS,
DE SONHOS COM AMORAS
QUE PROVO NO CAOS.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,29 de setembro de 2004,às 14:50)
Escrito por Maíra às 09h41
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Mesmice
Se o mundo fosse azul meus cabelos seriam nuvens,
se o mundo fosse vermelho eles seriam de Sol,
amarelos;grandes,
branco; de água,
e se fosse de nada seria do jeito que é hoje.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 de outubro de 2004,às 20:39)
Escrito por Maíra às 09h39
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FORCA
Por que ele insiste em não chegar?
Por que proclama margaridas lábios
e os lábios torres?
Por que continua?
Põe ratoeiras sem aperitivos,
cava calabouços e não acorrenta,
tudo tão parodoxal,
tudo tão sem sentido
num sentido de vontades
que se espalham no sofá branco
em frente a tv miúda ...
ouvi um barulho....
parece que ele se suicidou do terraço...
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 e 08 de outubro de 2004)
Escrito por Maíra às 09h33
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O Gosto
Caladas as amoras me disseram
que ele veste chambre,
não penteia os cabelos,
passeia por entre as margaridas,
beija cecílias e abraça colméias...
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 de outubro de 2004, às 20:42)
Escrito por Maíra às 09h26
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Paradoxo
A vida do menino.
Os óculos do menino.
As coisas do menino.
A morte da menina.
Os olhos da menina e
os sonhos da menina meninando.
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 de outubro de 2004, às 20:35)
Escrito por Maíra às 09h05
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Quintal e Sala
As pequeninas meninas que brincam no pátio
são o resquício do que entornei pela manhã,
palavras curtas que se desprendem de mim
como bolha de sabão que se vai pelo céu
e nossos olhos não enxergam se continuarão vivas...
(Maíra Guedes-Itabuna-Ba,07 de outubro de 2004,às 20:30h)
Escrito por Maíra às 09h00
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