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(Para Zezinho)
Ele é um grande singelo,
tem mãos, tem calos, tem medos...
Reflexos azuis assustam sua mente,
se faz vazio, inerte, e foge dos pensamentos.
Como se machucado pelo céu
ele se esconde atrás dos olhos...
Sem dizer o que te fere, o que amarga,
ele silencia seu corpo seco e doce
e se tranca num mundo seu....
A quem permite entrar não se sabe.
Sabe-se apenas que é um mundo lírico, lindo...
Mundo de sons, de gestos, de cores,
é um mundo de Zé...
( Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 26 de dezembro de 2004 )
Escrito por Maíra às 10h00
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Penso que enlouqueci.
O rosto encontra-se parado em meus olhos
e a voz não descansa.
Idolatro o contra-cotidiano,e me embriago com palavras que não me pertencem.
Enjoei da mesmice, da não criatividade dos amores diários.
Enjoei da insistência em ouvir eu te amo,
enjoei das linhas, do cobre, dos versos monótonos.
Não mais o mesmo, nem ser a mesma.
Não quero achar tudo chato, mas quase tudo é chato...
Dane-se.
Não quero mais os zumbidos das mesmas moscas,
ou donas dos lençóis...
É certo que me manterei hipócrita, dissimulada,
não dá para querer ser tudo,
mas não posso me contentar com o quase nada.
Novamente penso que enlouqueci,
me entregaram janelas e descobri absurdos dentro de mim.
Só que não me deram portas, muito menos chaves,
só um vaso para ser quebrado num outro monótono ataque de ira.
É certo. Estou insana.
Surtei por valores que não existem,
me afoguei num calabouço de mercúrio,
e retornei em fogo, totalmente louca.
( Maíra Guedes - Itabuna - Ba, noite de 23 de dezembro de 2004 )
Escrito por Maíra às 09h58
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Sussurros noturnos
Ele fala baixinho por entre a madrugada de faróis que não existiu.
Deitada, ela tenta imaginar a junção das almas.
Mas ele entra sem falar,
ou se contenta com linhas...
...e isso arde, trepida...
Perfidamente cala, concentra e não cumpri.
Despertá-lo ao som de cantos,
e derramar vacilos num ardil asfalto
que queima na noite densa, que não passa,
nas roupas brancas que não secam,
num varal que não existe...
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 22 de dezembro de 2004, às 9:50 AM)
Escrito por Maíra às 09h46
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FIM
Quando A Intrusa acorda percebe que é tudo
Mais azul do que se pensa,
Mais calejado, mais amargo,mais fascista...
É como filho que nasce morto.
E ela agora é como mãe que agoniza no hospital
Ao ver o corpo da cria sem pulsar.
“Vidas não são sutis”...pensa.
Partejando sangue, ela levantou nua,
Passou pelo jardim desprezando as sensações que
Antes há haviam feito emprenhar a vida.
“Em momentos assim,
os abortos são as melhores escolhas.” Pensara.
Ela seguiu pelo asfalto deixando rastros,
Deixando cheiros,marcas,corpos...
Ela seguiu,seguiu, seguiu....sem retorno...
(Maíra Guedes – Itabuna – Ba, 17 de dezembro de 2004, às 10:50 AM)
Escrito por Maíra às 11h09
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Instinto ou Adultério II
Ele não era purista.
Se via num emaranhado de sensações paralisadas e pulsantes paralelas,
cataclismas clandestinos.
Não poderia mais fingir.
Deixou a que sangrava sobre panos adormecer
e correu para o jardim destruído.
Ela chorava sobre os espinhos secos,de flores que antes eram suas,
ele confessou em parole e pediu remissão por ter amolado facas em tua cama,
mas ela devia saber que ele é fraco, que as tentações sem o amargo do cotidiano
tornam-se sutis, azuis...
Ao ouvir falácias serem cuspidas ela gritava ainda mais...
Ele sabia que não deveria...mas sucumbiu a desejos sempre latentes...
E não se arrependera, A Intrusa havia feito a vida pulsar novamente em suas artérias...
Escrito por Maíra às 09h52
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Adultério
Cristais brutos sussurrados se partindo na chuva.
Foi assim...
Quando abriram a porta as flores estavam espalhadas pela cama,
ela mastigava pétalas,engasgava amores,
ratificava todas as pungentes dores sentidas em meio aos lençóis.
Ele ignorava, fingia ser cego.
A Outra chorava pelo jardim destruído,
"Uma intrusa" pensara ela, que invadira sua cama,comera suas flores,
e agora sangrava por seus lençóis.
(Maíra Guedes - Itabuna - BA, 14 de dezembro de 2004, às 9:55 AM)
Escrito por Maíra às 10h01
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Alfa...
Ele me faz ser maniqueísta.
Me força a agonizar o belo.
Somos clandestinos,caçados,mordidos...
A incompletude que ofusca a razão dos meus sentidos,
sentidos de cimento,asfalto e cobre,
sentidos irregulares, secos como escritos de sua alma,
amargos como os desejos instintivos que ludibriam meu corpo,
e que me fazem desejar ainda mais...
(Maíra Guedes - Itabuna -Ba, 12 de dezembro de 2004, às 12:19 )
Escrito por Maíra às 12h19
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Narrador
Ela se manteve calada por um longo tempo.
Deitada de bruço,imóvel,como se morta,
cravada pelas palavras que não pronunciei.
Será isso? O Silêncio hemorrágico.
...
Ela continua lá.
Agora com os olhos entreabertos,
meio vazios, meio de multidões,
parte de luz,parte de nada.
Parte do que não quis que fosse,
e por isso partiu,só deixou o corpo que continua empedrado.
Só que agora ela não parece morta...
Ela está...
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba, 10 de dezembro de 2004, às 13:18)
Escrito por Maíra às 16h03
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Pés distantes em mãos ausentes
Sobe o monte cego
sigo a caminhar por palavras e lembranças.
Sinto seu olhar sob minha nuca,
a censurar meus passos.
Mas você não está.
Morri. Rasgo minha garganta com gritos efêmeros
e mãos ausentes.
Espalho flores secas pela casa vazia.
Toco meu silêncio,
e Deus se faz presente em meus sussurros.
( Maíra Guedes, Itabuna - Ba, 13 de março de 2004)
Escrito por Maíra às 09h40
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Soneto de Crucificação
"Gelado, o chão áspero, a luz está apagada. Apenas um ponto de luz vindo em direção à sombra feita pelo vinho derramado nos lençóis brancos, mas sujos... Como cataclismas vão rolando lágrimas por entre beijos,
por entre as horas que não passam, o barulho que não cessa,
gemidos e sussurros insanos, suor e sangue .
Sentidos se confundem entre o cheiro de vinho e luxúria, no chão gelado dois amantes melancólicos, uma taça quebrada e vazia, castigando suas almas.
A dor que sufoca o peito acariciado,iluminado pelo ponto de luz. Os dois amantes deitados no seu leito de morte e desejo,
como um amor proibido pela escência pura e suja”
( Maíra Guedes e Igor ArcAnjo - Brasil ,1 a 3 de dezembro de 2004)
Escrito por Maíra às 16h44
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Segredos
O tempo estagnou
como manga verde e poste que amanhece e não se apaga.
Parou. Morreu. Esqueceu de correr.
Se ajoelhou nas paredes que não respiram nem inspiram.
No relógio de 7 ponteiros os números se ambaraçam
como cadarços ao varal de vento sem paradoxos.
(Maíra Guedes - Itabuna -Ba, 02 de dezembro de 2004, às 16h)
Escrito por Maíra às 16h08
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