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Glücklich
Fecundada em teu leito de exuberantes olhos quase vermelhos
estou a solfejar os zumbidos que já não me incomodam.
Se tenho tuas mãos a me girar sob o asfalto
para que desejar as que me fazem sangrar?
Simon, és um mágico!
De cartola Solar,de coelhos com asas.
Me fez repensar a métrica e
abandonar o resquício niilista dos meus sonhos.
Eu, que encontrava-me orfã de anjos,
agora deleito-me com o mais doce deles, a me dedicar palavras,
e caminhar comigo na procura por meu quando.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 31 de janeiro de 2005, às 15:55 )
Escrito por Maíra às 17h01
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Caos clichê
Que sabor terá essa parte de mim que se parte?
Parte inventada por mortos neurônios sentimentais
há muito amputados.
Será parte de outro?
Parte do "Bom dia", das flores, do telefone?
Parte do lado vazio partido em pedaços
cantados numa escala de ruídos nunca presentes?
Serão manhãs ausentes,
parte que nunca foi parte de mim
que agora segue partindo partida,
pedindo ferida um novo coração.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 21 de janeiro de 2005, às 00:28 )
Escrito por Maíra às 10h46
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(Para a Pequena de nossas vidas...)
Da janela vejo a doce pisar o chão descalça,
a se machucar em cacos,a chorar ruídos.
Miúda, a tremer num mundo cinza,
e eu clandestina em tua vida ao conseguir roubar-te sorrisos acalmo meu coração.
Em tempos de máscaras ela é singela,
e ao encontrar sangue nos pés
consegue sentir a beleza do vermelho que escorre de dentro dela.
Miúda, moída, pequena. Perdida num mundo vazio.
Querida a chorar pelo anil,que escorre entre os dedos do teu cobertor.
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba, 19 de janeiro de 2005,às 12:40)
Escrito por Maíra às 12h58
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Vontade
Ser seca.
Suscinta e cheia de nada.
Ser calada, morna...
sem ser morta e vazia,
sem ser o que sou sendo eu...
(Maíra Guedes- Salvador - Ba, 13 de janeiro de 2005)
Escrito por Maíra às 22h15
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sete
Surtei quando ouvi minúsculos passos de nada
vindo em minha direção.
Eles possuiam pneus, corpo de mármore, e de oxigênio.
Um dos passos estagnou e encontrou meu cheiro.
Marcou-me com a língua e partiu.
(Maíra Guedes - Salvador - BA, manhã de 10 de janeiro de 2005)
Escrito por Maíra às 11h43
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Partejo
Ele é triste.
De um colorido cinzento,
tem a mão fria, e o olhar gelado.
Ele é mestiço,
vindo do acasalamento infértil de dores.
Possui nos ombros todas as pernas,
que depois do calar não mais são suas,
aos olhos dela na boca tem formigas...
como a certeza do não retorno,
do vaso em pedaços daquele antigo monótono ataque de ira,
da mesa vazia,
do caos sem surpresas...
(Maíra Guedes - Salvador - Ba, 08 de janeiro de 2004)
Escrito por Maíra às 21h02
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Sonhos
É nostalgico
pensar que tudo retorna,
como um ciclo indizível,
como uma alegria ilógica,
como utopia calada.
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 06 de dezembro de 2004, meio dia )
Meu
rio não
tem horizonte.
Ele não acasala.
Ele se cala com pedras,
batidas, secas, de cimento.
Por ele passeiam corvos de bicos vermelhos
e pernas compridas, e eles são iguaizinhos a mim...
(Maíra Guedes - Itabuna - Ba, 06 de dezembro de 2004, meio dia )
Escrito por Maíra às 14h49
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Repulso
O mundo parou...
turbilhões, maremotos, sentidos catastróficos,
sentimentos de sabores e rancores entrelaçados
num segundo de tempo eternizado...
E a turgência...
a urgência,a carência do sol...
tudo parecia fazer parte do que não podia acontecer...
como junção de elementos contrários...
como tudo que rangia, gritava, mordia, chorava...
Em momentos esquecidos ela ia mininamente morrendo
consumida pelo mundo sem promessas...
pelo mundo de mãos vermelhas...
pelo mundo de responsabilidades...
(Maíra Guedes - Itabuna-Ba, 03 de janeiro de 2005, às 9:37 AM)
Escrito por Maíra às 09h12
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