Voa enquanto solta mentiras pelos céus,
cambaleando entre as nuvens amarelas que fingem ser azuis,
um sol de murmúrios surge entre os cabelos dela... que voa...
Como um velho de pijama velho e voz rouca de trovão,
os cabelos quase violetas da moça chorosa desfalecem no torpor da madrugada,
pressentindo a dita hora de se despedir da luz do dia, das cores e das formas,
de uma vez e por quanto houver eternidade.
E o moço lá de baixo segue turvo,
sente o cheiro dos cabelos que esvoaçam e trazem as nuvens,
e faz o céu parecer algodão doce,
frágil...
como fumaça que se desfaz no mesmo vento que traz..
Deseja heroicamente trocar seu corpo pelo dela,
sua alma pela dela, sua vida pela dela,
como se trocassem de endereços, assim trocassem de destinos,
de celas..
e enfim a salvasse...
Com o peito cheio de leões e os cabelos de facas,
as mãos espadas, e as pernas canhões que erram alvos,
e estilhaçam almas que murmuram pelo chão...
(Renan Claudino e Maíra Guedes - Brasil,noite de 19 de julho de 2005)