1854
Peculiar coração que sobrevive por tubos enferrujados,
não mais tem dado piruetas, seguido borboletas e nadado por jardins?
Não consegue mais dizer nome de flor,
tem a vida nos passos da pequena primavera,
sem poções ou olhares...
Então como saber?
Tentando deitar no chão,
torcendo pra virar grão,trigo,canção...
ou ser planta em dia claro!
Eita busca estranha por lampejos e madrugadas!
Ter a primavera nos olhos é como canonizar o tempo do mundo em versos ...
de onde caem gotas aceleradas sobre a pele,pêlos, cílios,
com cheiro de cravo e sonhos de maracujá,
acariciando a lágrima trancada,
libertando a parole inventada,
tocando o rosto apagado na luz,
suprindo as certezas que deslizam no beijo doce que sopra do azul...
(Maíra Guedes e Alex Barbosa – primavera de 2005)
Escrito por Maíra às 17h42
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