Diálogo
Sim moço! Sou filha do asfalto. Queria mesmo ser da terra, vinda do mato, com cheiro de fruta do pé. Mas não. Sou filha da rua. Quadrada,podada e criada. Sou filha de um carnaval da carne. Não conheci quem conhecesse Pierrot ou Colombina, Arlequim é o que chora? Nasci filha mulher, nunca menina. E duvido de quem seja. Sim moço! Sou filha de puta! De esquina e caminhão. Sou filha de um sonho que nasceu na contramão.
(Maíra Guedes - Salvador-Ba,17 de fevereiro de 2006-23:58h)
Escrito por Maíra às 15h06
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Sabia que seria o último.Subi as escadas com o coração palpitando em pulso Beethoven.No corredor lá estava. Calmo,sereno.Cansados,seus olhos caminhavam.Como?Eu não sei.Mas seguiam cada vez mais para longe:"-Vem?", "-Não quero." , "Por quê?". Não respondi.Não sabia, mania de porquês, eu não queria,não sentia.Me concentrava no ritmo que meu coração costurava no peito para não chorar: TUM.TUM.TUM. Como porta sem campanhia. Batidas cada vez mais fortes.Eu não ia.Por instantes pensei que a porta de dentro de mim seria derrubada,as batidas eram agora chutes.Vai pular a janela" pensei.Fui correndo e tranquei todas elas.Eu ia explodir.Não sei ainda me teletransportar,e agora sem saída.O que fazer? Parada no corredor,me obrigando a negar a tristeza de camarim de palhaço.Virei para o lado. Sóbria como certeza de presente de aniversário que vem embrulhado e cheio de fitas. Último. Saio correndo.Derrubo garrafas,restos de cartas,ponteiros com mofo.Não tive coragem de dizer que não voltava.Por cada cômodo que passava trancava as portas e colocava as chaves e cópias lá dentro pelas frestas.Sem direito a adeus. Eles são agudos demais.
(Maíra Guedes - salvador-ba, fevereiro de 2006)
Escrito por Maíra às 12h34
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