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Tenho diversas formas,cheiros,e tons. Vario do amarelo claro ao violeta intenso numa escala de valores melancólicos, mas ao mesmo tempo sólidos.
Sou mulher ou quase. E me sinto quase,quando atravessando a rua percebo que se por minhas pernas for, eu disparo em direção ao sol e evaporo. Sou quase. Quase quando meus olhos encontram os dele e me tremem as pálpebras, e me divirto com a canção desafinada em violão de duas cordas.
Sou quase quando namoro andorinhas e as prefiro aos batuques. Sou quase sem quase ser menina, sou quase sem querer, sou quase não sabendo ser de quase. Quase vento,poeira,canção...
Queria mesmo ser chuva (mesmo que quase) ter o cheiro que faz das noites senhoras, ter o som do piano que pulsa Chopin. Mas... Sou quase. Mulher de aquário em dia de pesca. Não sou. E ser quase é quase um não. Não sei então ser mulher...
Quase sou grãozinho de areia que incomoda. Bacia de lavadeira com roupas de molho em sabão de coco. E de um jeito muito meu de quase não se-los. Rebobino fitas de corações mordidos. E com melaço e manga lavo meus cabelos em quintas sem feiras. Não gosto de quases em supermercados. Mas ainda sou pouco para barracas e cheiro forte de pimenta sem reino.
Quando não me olham sumo. Incolor.Chata. Chamariz de luz fraca. É só amanhecer com certezas que fico assim. Sou em dúvida um carrossel manual, como caixinha de jóias e repito a canção (como Bem-te-vi que quase sou) toda vez que me abrem, me fazem girar , e guardam-me sem perceber o quanto estou tonta. OU quase assim.
(Maíra Guedes - 02 de fevereiro de 2005 - entre meia noite e uma hora, Salvador-Ba)
Escrito por Maíra às 14h09
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