Não há nada melhor em meus mundos que o samba matinal. Deus de manhã consegue ser ainda mais exato.Talvez porque meus sonhos, com raiozinhos leves de Sol, ainda estejam crus, e por isso se modelem à cadência dos lençóis ainda mornos.
Quando me vejo refletida em xicrinha de café, descubro olhos não tão meus.Sento à mesa branca de mármore frio, entre espelhos e anéis pertenço-me, muda.Diferente da boca que mente depois da porta, ou grita janela afora. Mas dentro, com tudo fechado, sem frestas, invento binóculos de borboletas, para suprir a ausência dos tantos outros olhos lá de fora.
Se saio passo o dia numa malemolência cálida, pouco sóbria. Por isso prefiro não sair. A calidez me faz tremer as pálpebras, e a não sobriedade em mundo não meu é quase um corte.
O Sol tem outro cheiro, e quando deus chora lá fora, o que cai do céu, são pedrinhas que machucam as flores.E dói. E sangra. Não ama. E não amar é triste...Volto correndo. Tranco portas e janelas.Demoro a sair novamente. Prefiro quando deus chora aqui dentro, é tão mais bonito, fico a enamorar meu samba, dançando por cafés...podendo moldar os raios que chegam, e cadenciar minha dança sem sombras.
(Mamai, em 13 de junho de 2006 - salvador-ba).
Escrito por Maíra às 18h54
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